Indigo blues.
6|July|2008
Era noite. Estava quente. A música ao som do ondular das ondas subia por nossos corpos transbordando uma paz de espírito, um sentimento de estar no sítio certo à hora certa. Percebi que me apaixonara nessa noite. Teu corpo gritava por mim entre os pedaços de tecido esvoaçante que enrolava tuas pernas nuas tocadas pela lua. O toque era escasso mas quase que necessário, mãos dadas em momentos suspensos, um simples trocar de copo ou o limpar a gota de água que escorre pela palma da mão. Penso em amar-te. Em despir teu corpo de medos e ter-te inteira, sem o mundo, só comigo. Teu olhos brilham que nem raios, queimam-me a pele e acendem-me a alma que chora por teus lábios distantes mas tão rosa e tão carne e tão maldita contradição. As estrelas assistiam ao meu pecado silêncioso e perpétuo que ali vivia sem medos, com muitos sonhos, que eu já sabia que eram demais.
Era tarde. Estava quente. Perdi-te entre passos espassados e caminhadas. Senti o teu cheiro e vi-te rodar, quis tocar-te e tu fugias-me, quis amar-te e tu negavas-me e eu mais amor sentia, mais de ti procurava. Decorei teu sorriso cheio de mágoa, feliz no momentos, feliz comigo.
É noite. Está frio.
[E tu?]
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